
Um relatório divulgado em 23 de março de 2026 pela Comissão de Revisão Econômica e de Segurança EUA-China aponta que a China vem conquistando uma posição de liderança em inteligência artificial (IA) de código aberto, criando vantagem competitiva sobre rivais nos Estados Unidos. O documento destaca que, mesmo com limitações de acesso a chips avançados, o país asiático tem progredido de forma acelerada no setor.
Modelos acessíveis e ampla adoção
Segundo o relatório, a difusão de modelos chineses com custos menores e aceitação global é um fator central nessa ascensão. Plataformas como HuggingFace e OpenRouter mostram empresas como Alibaba, Moonshot e MiniMax entre as mais utilizadas. Estimativas citadas pelo texto indicam que cerca de 80% das startups de IA nos Estados Unidos já recorrem a modelos abertos desenvolvidos na China.
O documento destaca exemplos de mercado, como o modelo R1, da DeepSeek, que superou o ChatGPT como o mais baixado na App Store dos EUA após seu lançamento no ano passado. Outra referência é a família de modelos Qwen, da Alibaba, que, segundo dados da HuggingFace, ultrapassou o Llama, da Meta, em número acumulado de downloads.
Ecossistema e dados do mundo real
A comissão observa que a estratégia chinesa de incorporar IA em setores como manufatura, logística e robótica gera grandes volumes de dados do mundo real, alimentando o aprimoramento contínuo dos modelos. Esse ecossistema aberto teria permitido à China inovar próxima à fronteira tecnológica, apesar de limitações de capacidade computacional, e reduzir a diferença de desempenho em relação a modelos ocidentais.
Enquanto isso, os Estados Unidos seguem investindo bilhões via empresas como OpenAI, Anthropic e grandes companhias de tecnologia, mas o relatório adverte que a liderança americana pode estar sob pressão devido à expansão dos modelos chineses abertos.
Foco em IA incorporada e preocupações
O relatório também ressalta uma mudança de foco além de modelos de linguagem, para a chamada IA incorporada (embodied AI), área que inclui robôs humanoides e direção autônoma. A Comissão afirma que a China pode ter vantagem nesse campo graças à sua capacidade de coletar e aproveitar dados em grande escala. Michael Kuiken, vice-presidente da comissão, afirmou que já existem sinais de um efeito acumulativo entre os países.
O governo chinês classifica a IA incorporada como estratégica, e várias empresas de robótica humanoide no país planejam abrir capital ainda este ano. Apesar de alertas de organizações ocidentais sobre riscos de segurança e viés político em modelos chineses, corporações continuam adotando essas tecnologias. O CEO da Siemens, Roland Busch, disse não ver desvantagens no uso de IA aberta chinesa para treinar modelos industriais, citando custo reduzido e facilidade de personalização.
A reportagem encerra mostrando que a disputa tecnológica entre China e Estados Unidos na área de IA de código aberto reúne avanços técnicos, dinâmica de mercado e preocupações de segurança, sem indicar mudança imediata na estratégia dos atores envolvidos.
Com informações de Olhardigital
