“Regresso escolar: mudanças na rotina, tráfego e gastos familiares”

Por João Silva

Com o início do ano letivo de 2026, a cidade de São Paulo vivencia mais uma vez os impactos da volta às aulas, marcada por retornos escalonados entre as redes particular e pública, alterações no trânsito, preocupações financeiras das famílias e a implementação recente do Programa Escolar. O movimento nas ruas já começou com o retorno das escolas particulares em 26 de janeiro. Já as instituições da rede pública retomam as atividades em 12 de fevereiro, conforme o calendário da Secretaria de Educação.
Esse modelo escalonado provoca dois momentos distintos de impacto no trânsito. O primeiro, com as escolas particulares, concentra-se em vias centrais e acessos principais da cidade. A segunda fase, a partir do retorno da rede pública, tende a ampliar significativamente o fluxo de pessoas e veículos, principalmente nos horários de entrada e saída das aulas, pela maior quantidade de estudantes.

Para as famílias, o retorno das aulas significa reorganização da rotina doméstica. Pedro Marques, pai de aluno da rede pública, relata que o fim das férias exige um ajuste rigoroso dos hábitos. “Adaptamos toda a rotina para colocar meu filho no horário. Os costumes das férias precisam ser anulados, porque ele precisa de rotina para cumprir as responsabilidades escolares”, conta. Apesar de morar próximo à escola, ele destaca que o trânsito entre 12h45 e 13h15 fica visivelmente mais lento com a volta das aulas.
Situação semelhante é enfrentada por Mariana Lima, que tem um filho ingressando na rede pública. Ela antecipa a rotina escolar dias antes do início oficial, ajustando horários, limitando telas e organizando as atividades da família. Segundo Mariana, a movimentação no trânsito se intensifica no começo da tarde e no início da noite.
O retorno da rede pública em 12 de fevereiro, poucos dias antes do Carnaval, gerou críticas. Para algumas famílias, como a de Pedro, a proximidade entre o início das aulas e o recesso compromete a adaptação dos estudantes. “Começa e para. Meu filho vai voltar apenas depois do Carnaval”, afirma. Mariana também questiona a eficácia desse calendário. A previsão é que o ano letivo termine em 21 de dezembro, com cerca de dez feriados e pontos facultativos ao longo do ano.

Professores atentos
A professora Carla Oliveira destaca que esse início fragmentado exige planejamento dos educadores. “Muitas crianças ainda estão no ritmo de férias, o que impacta atenção, concentração e comportamento. O trabalho pedagógico acontece de forma mais gradual”, explica. Ela também observa que o aumento do trânsito interfere na pontualidade e reforça a necessidade de comunicação constante entre escola e família.
O retorno escolar também pressiona o orçamento das famílias. Materiais, livros, uniformes e transporte geram despesas extras em um período já comprometido por contas como IPTU e IPVA. Levantamentos apontam que 88% dos responsáveis consideram que os gastos escolares impactam diretamente o orçamento doméstico. Pedro comenta que o filho, por ser ativo, exige mais de um par de tênis ao longo do ano. Mariana cita o peso do material coletivo e individual pedido pelas escolas.
Nesse contexto, o Programa Escolar, criado pelo governo estadual, é visto como um apoio bem-vindo. Pedro relata que já recebeu e desbloqueou o benefício, e elogia a possibilidade de buscar o uniforme em lojas credenciadas. Ainda não conseguiu realizar a compra por conta da alta demanda, mas considera o sistema eficiente. Já Mariana, mãe de aluno novo na rede, ainda não recebeu o cartão e deve iniciar o ano letivo sem uniforme completo, aguardando a próxima remessa.

Apesar das iniciativas, ambas as famílias concordam que a volta às aulas exige planejamento e, muitas vezes, cortes em despesas com lazer e viagens. Eles também defendem melhorias nas escolas e maior atenção aos alunos com necessidades específicas. Pedro resume o sentimento: “Educação e saúde precisam ser prioridades absolutas”. Mariana reforça: “Famílias precisam estar integradas ao processo educativo, e ainda há espaço para ampliar o apoio, principalmente nas comunidades mais vulneráveis”.

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