
A comparação é inevitável: enquanto a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), entre as QE 24 e a QI 23 do Guará II, anunciada quatro meses depois mas com as obras aceleradas, o Hospital Clínico Ortopédico (HCO), que será construído ao lado da via contorno e em frente às QEs 17 e 19, ainda não saiu do chão e se resume ao cercamento do terreno com tapume e ao canteiro de obras. Mas há uma explicação: como a construção das UPAs no Distrito Federal segue um modelo padrão, que se diferem apenas dos tipos (I, II e III) de tamanho e capacidade, previamente analisado pelos órgãos de controle, a construção do hospital do Guará e o do Recanto das Emas, com tamanho e objetivo semelhantes, tem projetos mais complexos e foram objeto de licitações individuas, além de terem custos previstos bem acima das UPAs, o que demandou algumas adequações solicitadas pelo Tribunal de Constas do Distrito Federal ao GDF, num vai-e-vem burocrático entre os dois órgãos. Soma-se a esse detalhe a histórica morosidade do TCDF, que ainda não conseguiu, por exemplo, liberar a concessão do Cave, mesmo com dois anos de análise do projeto.
Esse atraso da parte burocrática, que não depende da vontade do GDF e nem do consórcio que ganhou a licitação da obra, deve provocar atraso de cerca de quatro meses na entrega do hospital, inicialmente prevista para dezembro de 2027, mas que somente vai acontecer no final do primeiro semestre de 2028. A expectativa do governo é que o TCDF libere o processo até março, logo após o recesso judiciário, depois que foram atendidas as adequações exigidas pelo órgão de controle.
Entretanto, de acordo com o diretor do Consórcio HCO, formado por duas construtoras e uma empresa de projetos, com sede em Belo Horizonte (MG), Deraldo Júnior, esse atraso inicial pode ser compensado durante a execução da obra, por causa da opção pela utilização de uma técnica inovadora de construção de lajes, de origem dinamarquesa, que reduz o tempo da construção e de custos, e de tempo. “O sistema BubbleDeck é composto por lajes maciças, com a utilização de esferas plásticas ocas, fabricadas em polipropileno ou polietileno, montadas fora da obra e instaladas depois, bem mais práticas do que as lajes com preenchimento”, explica. “Isso pode reduzir a conclusão da obra e compensar o atraso”, completa. Entretanto, para o diretor do consórcio, o atraso da análise pelo TCDF tem seu lado positivo, “porque vai dar mais transparência e agilidade ao processo, que será liberado após uma minuciosa auditoria e com todos os questionamentos resolvidos”.
Canteiro de obras foi montado em fevereiro
Com a presença do governador Ibaneis Rocha, da então secretária de Saúde, Lucilene Florêncio, do presidente da Novacap, Fernando Leite, e de boa parte da cúpula do GDF, o início da obra do hospital foi oficialmente anunciado em janeiro, portanto, há dez meses. Desde abril, o terreno está cercado e terraplenado, as instalações administrativas e alojamentos prontos, à espera apenas da liberação do projeto pelo Tribunal de Contas.
Durante a fase da obra serão empregados cerca de 250 funcionários diretos e outros 100 indiretos (de empreiteiras com especialização específica), segundo o engenheiro responsável pela coordenação dos serviços, Mateus da Silva.
A construção do Hospital Clínico Ortopédico, localizado em um terreno de 70 mil m², entre o Parque Ezechias Heringer e a Unidade Básica de Saúde (UBS) 2, no Guará II, que terá 160 leitos, vai custar R$ 174 milhões, e mais cerca de R$ 30 milhões para ser equipado. O HCO terá perfil de assistência em ortopedia, com atendimentos nas áreas de coluna, ombro, braço, cotovelo, mão, quadril, perna, joelho, pé, tornozelo, alongamento e reconstrução óssea. Dos 160 leitos, 90 serão de ortopedia, 50 de clínica médica e 20 de UTI adulta. A unidade também vai dispor de atendimento ambulatorial, internação ortopédica, centro cirúrgico, apoios diagnóstico e terapia e de nutrição e dietética, além de uma farmácia hospitalar e centrais de Material Esterilizado (CME) e de Ensino e Pesquisa.
A área principal está dividida em quatro blocos – o primeiro será destinado a ensino e pesquisa; o segundo é uma área de circulação; o terceiro é o coração do hospital, onde ficam o ambulatório, os leitos de internação e o centro cirúrgico; enquanto o quarto bloco abriga as estruturas de água, energia e esgoto. O hospital terá também auditório, anfiteatro e uma capela, além de estacionamento para os pacientes e funcionários.
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