Mães em boa forma, crianças radiantes

No dia a dia desafiador da maternidade, repleto de obrigações diversas, muitas mulheres acabam negligenciando seu próprio bem-estar emocional. Entre as demandas da casa, do trabalho e da educação dos filhos, o tempo — e até mesmo os recursos — para cuidar de si mesmas se tornam escassos. Essa situação revela uma realidade muitas vezes ignorada: mães sobrecarregadas, frequentemente sem o devido reconhecimento e vivendo em um constante estado de vigilância.
A psicóloga Renata Moura destaca que as consequências dessa pressão são profundas. “O que se observa com frequência é que elas enfrentam sobrecarga, culpa, ansiedade e a sensação de que nunca estão fazendo o suficiente. Mesmo gerenciando várias responsabilidades — como lar, filhos, carreira e vida afetiva —, muitas se sentem inadequadas”, explica. Ela ressalta que essa situação provoca um desgaste contínuo. “Essas mães passam a viver em um estado de alerta permanente, como se não tivessem direito a descansar”.

A chamada carga mental da maternidade envolve mais do que apenas cansaço físico. “É um esgotamento profundo, que transcende o físico — caracterizamos isso como esgotamento materno. Não se trata apenas de realizar diversas tarefas; é estar constantemente responsável por tudo: lembrar, planejar, antecipar e cuidar”, esclarece. Segundo Renata, esse tipo de exaustão se acumula silenciosamente e frequentemente ocorre sem o suporte necessário.
Ela é especialista em Psicologia Clínica, gestalt-terapeuta e possui certificação em EMDR, focando seu trabalho em mulheres maduras, especialmente aquelas que são mães. Em sua experiência profissional, nota um padrão comum entre suas pacientes. “Muitas mulheres chegam carregadas de culpa e exaustão, com dificuldade para estabelecer limites e uma sensação de terem se perdido após a maternidade”, compartilha.
Nesse cenário, a terapia torna-se um espaço crucial para acolhimento. “Na terapia, a mulher encontra um ambiente seguro para ouvir a si mesma, compreender seus sentimentos e reestabelecer a conexão consigo mesma. Ela começa a nomear suas emoções, entender seus padrões comportamentais e reconhecer seus limites, saindo assim do automático”, afirma. Para ela, esse processo provoca uma mudança na relação com a maternidade. “Isso altera como ela vivencia a maternidade, deslocando-se do ideal de mãe perfeita para ser a melhor mãe que pode ser”.
Renata também aponta sinais que podem indicar a necessidade de ajuda profissional: “Cansaço persistente, dificuldades para dormir, episódios frequentes de choro, culpa excessiva ou irritabilidade são alguns indícios que apontam para uma saúde mental que merece atenção”.

Tratamento de traumas com EMDR
Além das abordagens tradicionais da psicologia clínica, Renata utiliza a técnica EMDR no tratamento de traumas. “O EMDR é uma terapia voltada para dessensibilização e reprocessamento de memórias traumáticas. Essa técnica auxilia na gestão de experiências difíceis que impactam profundamente a vida das mulheres no presente”, explica.
De acordo com ela, essa metodologia permite ao cérebro processar vivências marcadas emocionalmente. “Ela ajuda o cérebro a lidar com essas experiências dolorosas e reduzir o sofrimento”, afirma. Esse método é especialmente indicado para traumas relacionados ao parto, ao puerpério ou à sobrecarga emocional acumulada sem apoio.
Renata enfatiza a importância da busca por ajuda psicológica. “Não é preciso esperar atingir o limite para merecer cuidado. Refletir sobre si mesma e sua saúde não diminui sua capacidade como mãe; pelo contrário, isso pode ser um dos maiores atos de amor por você e por seu filho”, aconselha. “Pedir ajuda é um gesto de cuidado”.
A psicóloga realiza atendimentos online, facilitando o acesso à terapia mesmo na correria da rotina das mães. Informações adicionais podem ser encontradas no site renatamourapsi.com.br ou no Instagram @renatmourapsi_.

 

 

 

O artigo Mães saudáveis geram filhos felizes foi publicado pela primeira vez no Jornal do Guará.