Mercado ajusta expectativa de inflação para 4,91% em 2026 pela nona semana consecutiva

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação brasileira, subiu de 4,89% para 4,91% para o ano corrente. Essa atualização foi apresentada no Boletim Focus divulgado na última segunda-feira (11), uma pesquisa semanal realizada pelo Banco Central (BC) que reflete as expectativas das instituições financeiras sobre diversos indicadores econômicos.

Impulsionada pela guerra no Oriente Médio, que tem pressionado os preços dos combustíveis e contribuído para a inflação, a previsão do IPCA aumentou pela nona semana consecutiva, ultrapassando os limites da meta definida pelo Banco Central.

A meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual. Assim, os limites são 1,5% como mínimo e 4,5% como máximo.

No mês de março, a inflação oficial ficou em 0,88%, um aumento em relação aos 0,7% registrados em fevereiro. O acumulado do IPCA nos últimos 12 meses atingiu 4,14%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Para o ano de 2027, a expectativa para a inflação se mantém em 4%. Já para os anos de 2028 e 2029, as projeções são de 3,64% e 3,5%, respectivamente.

Taxa Selic

O Banco Central utiliza a taxa básica de juros, conhecida como Selic, como principal ferramenta para controlar a inflação. Atualmente, a Selic está fixada em 14,5% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Na reunião mais recente do Copom na semana passada, houve um corte unânime da taxa em 0,25 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, mesmo diante das preocupações relacionadas à guerra no Oriente Médio.

A Selic permaneceu em 15% ao ano entre junho de 2025 e março deste ano, marcando o maior patamar em quase duas décadas. O Copom decidiu novamente reduzir os juros na última reunião devido ao cenário favorável com a queda da inflação. Contudo, as tensões geradas pela guerra no Oriente Médio têm impactado negativamente nos preços dos combustíveis e alimentos, complicando as ações do Copom.

No documento da ata da reunião, o colegiado não forneceu indicações sobre futuras alterações na taxa. O Banco Central informou que está acompanhando atentamente o conflito e seus possíveis efeitos prolongados sobre a inflação.

O próximo encontro do Copom para deliberar sobre a Selic ocorrerá nos dias 16 e 17 de junho.

No Focus desta edição, a expectativa dos analistas para a taxa básica até o final de 2026 continua em 13% ao ano. Para os anos seguintes, as previsões apontam uma redução para 11,25% ao ano em 2027 e para 10% ao ano em 2028. Em relação a 2029, estima-se que a taxa chegue também a 10% ao ano.

O aumento da Selic visa conter uma demanda excessiva que pode levar à alta dos preços. Juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, mas também podem limitar o crescimento econômico.

Os bancos consideram diversos fatores ao estabelecer as taxas cobradas dos consumidores além da Selic, incluindo risco de inadimplência e custos operacionais.

A redução da Taxa Selic tende a facilitar o acesso ao crédito e estimular tanto o consumo quanto a produção. Isso pode ajudar na diminuição da inflação enquanto impulsiona as atividades econômicas.

PIB e câmbio

No boletim mais recente do Banco Central, a expectativa das instituições financeiras para o crescimento econômico brasileiro neste ano permanece em 1,85%. Para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2027 houve uma leve alteração na projeção de crescimento de 1,75% para 1,76%. Para os anos de 2028 e 2029 espera-se uma expansão do PIB de cerca de 2% ambos os anos.

No ano passado (2025), segundo dados do IBGE, a economia brasileira registrou um crescimento de 2,3%. Este resultado foi impulsionado por um desempenho positivo em todos os setores econômicos com destaque especial para a agropecuária. Esse representou o quinto ano consecutivo com crescimento econômico.

Na edição atual do Focus, as previsões indicam que o valor do dólar deve estar cotado em R$ 5,20 até o final deste ano. Para dezembro de 2027 espera-se que a moeda americana alcance R$ 5,30.