Os Conflitos entre Flamengo e Palmeiras: A Rivalidade que se Intensificou desde 2025

Neste sábado, o Flamengo divulgou um comunicado em que expressa uma “sensação” de favorecimento da arbitragem em favor do Palmeiras e pede maior responsabilização dos árbitros. Essa nota não é um caso isolado, mas sim parte de uma crescente rivalidade institucional que começou a se intensificar em 2025, transformando a competição esportiva entre os dois times em um conflito constante nos bastidores. Nos últimos dois anos, além da luta por títulos importantes no Brasil, Flamengo e Palmeiras têm trocado agressões verbais publicamente, utilizando notas oficiais, entrevistas e declarações sobre temas como arbitragem, direitos comerciais, gramados sintéticos e governança no futebol.

O recente desentendimento começou após a vitória do Palmeiras por 4 a 0 contra o Vitória na última quarta-feira, pelo Campeonato Brasileiro. A partida ficou marcada por decisões controvertidas da arbitragem, especialmente a expulsão de dois jogadores do time baiano ainda no primeiro tempo. A atuação do árbitro Alex Gomes Stefano e do VAR, sob supervisão de Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira, gerou uma forte reação do Vitória e repercutiu em nível nacional.

Na sexta-feira, o Palmeiras emitiu uma nota oficial defendendo as decisões da arbitragem. Embora não tenha mencionado diretamente seus adversários, o clube afirmou que estavam sendo criadas narrativas falsas para pressionar os árbitros nas partidas e declarou que sua capacidade de competir em alto nível “incomoda”. O comunicado também pediu respeito às decisões dos árbitros e criticou tentativas de influenciar futuras escalas e julgamentos.

A resposta do Flamengo ocorreu menos de 24 horas depois. Em um extenso comunicado com mais de três mil caracteres, o clube expressou que torcedores, profissionais do futebol e parte da sociedade têm a impressão de que o Palmeiras tem sido “reiteradamente beneficiado” pelas decisões da arbitragem. Para embasar suas afirmações, o Flamengo recorreu a dados coletados pelo Espião Estatístico do ge, revelando que desde a implementação do VAR em 2020, o rival acumula o maior saldo positivo em decisões revisadas entre os principais clubes brasileiros.

Além disso, o Flamengo apresentou números referentes ao Campeonato Brasileiro de 2026 para corroborar sua posição. Segundo o clube carioca, o Palmeiras está entre as equipes que mais precisam cometer faltas para receber cartões amarelos; enquanto isso, seus adversários costumam ser advertidos com mais frequência quando jogam contra o líder da competição. O comunicado ainda defendeu que os árbitros devem ser responsabilizados por erros que possam impactar diretamente na classificação do campeonato ou afetar disputas por títulos e vagas em competições internacionais.

A rivalidade extrapola as quatro linhas

Embora a disputa atual gire em torno da arbitragem, a rivalidade institucional entre Flamengo e Palmeiras começou a se acirrar em 2025. Desde então, os dois clubes têm divergido em praticamente todos os debates relevantes no futebol nacional como a criação de uma liga própria, as negociações dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro e questões relacionadas à CBF. Cada desacordo tem se tornado público à medida que as divergências se intensificam.

Um dos episódios mais significativos ocorreu em setembro de 2025, quando o Flamengo obteve uma liminar judicial que suspendeu temporariamente a distribuição de cerca de R$ 77 milhões da Libra aos clubes associados ao bloco. Essa decisão gerou uma forte reação por parte do Palmeiras, que divulgou uma nota dura onde classificava a atitude do Flamengo como “predatória”, “torpe” e “arrogante”, acusando seu rival de tentar “asfixiar financeiramente” os demais clubes para obter vantagens comerciais.

No mesmo comunicado, o Palmeiras destacou que a diretoria rubro-negra agia contrariamente ao espírito coletivo que deu origem à Libra e lembrou que meses antes, o Flamengo havia se negado a assinar um manifesto da liga contra o racismo no futebol sul-americano. Dias depois dessa polêmica, a Libra lançou uma nota rebatendo os argumentos apresentados pelo clube carioca e defendendo sua condução nas negociações dos direitos comerciais.

As discordâncias sobre a liga continuaram ao longo dos meses subsequentes. Em 2026, o Palmeiras anunciou sua saída da Libra devido a desacordos quanto ao modelo de governança e às diretrizes das negociações dos direitos televisivos. Embora essa decisão tenha sido justificada oficialmente por divergências sobre o projeto proposto pela liga, ela aprofundou ainda mais as distâncias entre as diretorias dos dois clubes.

Esse aumento das tensões coincidiu com a chegada de Luiz Eduardo Baptista (Bap) à presidência do Flamengo no início de 2025. Desde então ele adotou uma postura mais combativa em relação ao Palmeiras e à própria Libra. Em entrevistas recentes, Bap questionou como as decisões eram tomadas dentro da entidade e sugeriu haver influência excessiva do clube paulista nas negociações envolvendo o futebol brasileiro.

Em outubro passado, Bap chegou a afirmar publicamente que a Libra era “palmeirense”, aludindo ao papel central do clube nas discussões sobre a nova liga. Na mesma ocasião fez comentários irônicos sobre sua relação com Leila Pereira dizendo que ela é “ótima quando você concorda com tudo”. Essas declarações tiveram grande repercussão entre dirigentes e marcaram uma mudança significativa no tom das relações entre os clubes.

Leila Pereira não deixou essas provocações sem resposta. Em maio deste ano ela disse que Bap apresentava uma “alucinação pelo Palmeiras” insinuando que ele falava mais sobre seu clube rival do que sobre seu próprio time. Em outra oportunidade mencionou ter notado um “hiperfoco” dele nela e no Palmeiras, sugerindo que grande parte das declarações públicas dele eram movidas pela rivalidade existente.

Alfinetadas após demissão de Filipe Luís

Em março deste ano, logo após Filipe Luís ser demitido do comando técnico do Flamengo, Leila Pereira comentou sobre essa situação durante uma entrevista antes da final do Campeonato Paulista. Embora tenha evitado criticar diretamente o time carioca, ela chamou atenção para ser considerada “uma falta de respeito absurda” demitir profissionais “no calor dos acontecimentos”, referindo-se ao fato de Filipe ter sido dispensado pela manhã cedo. Além disso afirmou que muitos dirigentes tomam decisões apenas para “agradar aos torcedores” ou “cair nas graças da imprensa”.

Quando questionada na mesma entrevista sobre uma postagem feita algumas horas antes onde afirmara que no Palmeiras os profissionais têm “tranquilidade para trabalharem”, Leila negou qualquer indireta direcionada ao Flamengo. Ela afirmou que seu objetivo era simplesmente ressaltar um ambiente positivo oferecido pelo clube visando transmitir estabilidade aos atletas e comissão técnica. Apesar dessa explicação clara, suas palavras foram amplamente interpretadas como comentários direcionados à demissão recente.

Outro tópico gerador de tensão foi relacionado ao uso de gramados sintéticos. No final de 2025, o Flamengo propôs à CBF eliminar gradualmente esses tipos de campos na Série A. O Palmeiras reagiu prontamente; Leila chamou essa proposta de “clubista”, acusando o rival de espalhar informações enganosas sobre gramados artificiais enquanto sugeria ao Flamengo focar na qualidade do gramado do Maracanã antes criticar outros campos.

Leila também defendeu não haver evidências científicas comprovando maior incidência de lesões decorrentes dos gramados sintéticos e sustentou ainda que Allianz Parque atende aos padrões exigidos pelas entidades organizadoras do futebol.

O impacto da SAF do Vasco

A rivalidade ganhou novos contornos com a possibilidade envolvendo Marcos Lamacchia — enteado de Leila Pereira — nas negociações para aquisição da SAF do Vasco. O tema rapidamente ultrapassou questões meramente mercadológicas tornando-se mais um capítulo na disputa entre as diretorias dos clubes.

Bap declarou que caso esse negócio se concretizasse ele estudaria possibilidades legais por considerar haver conflito de interesses caso membros da mesma família começassem a exercer influência sobre clubes atuando nas mesmas competições nacionais.

Leila respondeu imediatamente negando qualquer envolvimento nas negociações relacionadas ao enteado; afirmou ainda que Bap “não vê a hora” dela deixar o Palmeiras e cogitou processá-lo devido às suas declarações recentes.