Incertezas marcam convenções: vices de Flávio e Zema em aberto, chapas incompletas no RJ, MG e PE, e Centrão sem rumo definido

Os pré-candidatos à Presidência e a cargos estaduais se dirigem às convenções partidárias com chapas ainda não completas e coligações que precisam ser definidas, tanto em nível nacional quanto em importantes colégios eleitorais. O calendário das convenções, evento no qual os partidos formalizam suas candidaturas para o Executivo e o Legislativo, inicia nesta segunda-feira (20) e se estende até o dia 5 de agosto, conforme as diretrizes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os partidos têm até o dia 15 de agosto para registrar oficialmente suas candidaturas.

A maior parte das convenções referentes aos candidatos à presidência ocorrerá em São Paulo, com a exceção do Novo, que realizará seu evento na capital federal, Brasília.

Em Minas Gerais, que é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, tanto os candidatos da esquerda quanto da direita chegam às convenções sem as chapas definidas e com incertezas sobre quem irá concorrer ao governo. No Rio de Janeiro, a situação é complicada para os bolsonaristas após a operação da Polícia Federal (PF) que resultou na prisão de Márcio Canella (União), ex-prefeito de Belford Roxo (RJ), que estava em ascensão como candidato ao Senado com o apoio da família Bolsonaro; a escolha do vice também permanece indefinida. Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) ainda não decidiu sobre sua vice e a segunda vaga ao Senado; já no Maranhão, a chapa do petista Felipe Camarão (PT) ainda carece de definições.

No âmbito federal, o PL está agendado para realizar um evento no sábado (25), na Mercado Livre Arena Pacaembu em São Paulo, onde Flávio Bolsonaro será formalmente apresentado como candidato à presidência da República. Contudo, Flávio chega à convenção sem ter escolhido um vice e enfrenta desafios para garantir apoio de partidos do centrão, como a federação União Brasil – Progressistas. Ele manifestou interesse por uma vice mulher; entre os nomes mais cotados estão Daniella Marques (Republicanos), ex-presidente da Caixa Econômica Federal, e Clarissa Tércio (PP-PE), deputada federal.

No entanto, a seleção do vice envolve negociações partidárias complicadas. Atualmente, o PL encontra dificuldades em formar alianças com partidos do Centrão que estiveram ao lado de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Tanto os Republicanos (que fará sua convenção no dia 4 de agosto) quanto o União-PP (que também realizará seu evento em agosto, sem data definida) ainda não decidiram se irão apoiar Flávio ou optar por uma posição neutra na disputa nacional. Marcos Pereira, presidente nacional dos Republicanos, declarou que “ainda há muitos fatores a serem considerados” antes de uma definição. Por sua vez, o Solidariedade parece inclinar-se pela neutralidade nas eleições nacionais, mas terá posturas diferentes nos estados: colaborando com candidatos de esquerda em alguns locais enquanto apoiará coligações direitistas em outros.

O PSD lançará Ronaldo Caiado ao Planalto no domingo (26). O partido já entra na convenção com as decisões mais claras e com a chapa fechada: Gilberto Kassab será o vice. Apesar de apresentar um candidato próprio ao governo federal, nos estados o PSD respeitará alianças locais previamente firmadas; em São Paulo, por exemplo, fará parte da coligação encabeçada por Tarcísio de Freitas (Republicanos), que apoia Flávio e não Caiado para a presidência. A convenção do PSD ocorrerá em São Paulo — simultaneamente à convenção local que oficializará apoio a Tarcísio.

Em 27 de julho, Romeu Zema será oficialmente confirmado como candidato pelo Partido Novo durante uma convenção em Brasília. O partido ainda precisa definir quem será seu vice. O ex-governador de Minas Gerais está buscando apoio de outras legendas como o Podemos; porém, essa definição deve demorar até mais perto do final das convenções em agosto.

No dia 1º de agosto, o partido Missão — fundado pelo Movimento Brasil Livre (MBL) em 2025 — apresentará Renan Santos em uma cerimônia realizada em São Paulo. Ele irá concorrer com uma chapa “puro sangue”, tendo Aroldo Medina como seu vice.

O PT anunciará Luiz Inácio Lula da Silva como candidato à reeleição no dia 2 de agosto também em São Paulo; Geraldo Alckmin (PSB) será seu vice. A coligação deverá incluir PCdoB e PV (federações aliadas ao PT), além da federação Rede-PSOL e PDT. Embora haja tranquilidade na esfera nacional dentro do partido atual presidente, algumas unidades estaduais enfrentam impasses.

Chapas indefinidas nos estados

Minas Gerais entra na fase das convenções enfrentando desafios tanto para candidatos da esquerda quanto da direita. O PT realizará sua convenção estadual no dia 1º de agosto e deve lançar Patrus Ananias (PT-MG) como candidato ao governo; isso ocorre após Rodrigo Pacheco (PSB) e Marília Campos não aceitarem disputar a posição. A chapa não está completamente definida até agora: espera-se que Marília ocupe uma das vagas ao Senado enquanto a segunda vaga e o posto de vice permanecem abertos.

A situação entre os candidatos da direita também é incerta devido à espera pela decisão do senador Cleitinho (Republicanos-MG), que ainda não confirmou sua candidatura ao governo. Se ele decidir concorrer, há grande chance de que o PL faça parte da chapa — sua convenção está marcada para 27 de julho. Neste momento, Flávio Bolsonaro só tem definido Domingos Sávio (PL) como candidato ao Senado; caso Cleitinho não seja cabeça de chapa, o PL buscará lançar um candidato próprio cujos nomes especulados incluem Vittorio Medioli e Flavio Roscoe. O atual governador Mateus Simões (PSD) será oficializado como candidato à reeleição no dia 2 de agosto durante sua convenção regional; contudo, essa sigla ainda precisa decidir sobre a chapa majoritária já que precisa indicar um nome para o cargo de vice através do Partido Novo.

No Rio de Janeiro, o PL irá oficializar Douglas Ruas como candidato ao governo durante sua convenção marcada para 24 de julho; contudo, quem será seu vice permanece indefinido. O senador Carlos Portinho foi escolhido como pré-candidato ao Senado pela chapa enquanto a segunda vaga continua sendo um ponto controverso. Após meses escalado para compor esta vaga devido à prisão recente por porte ilegal de arma do ex-prefeito Márcio Canella (União), sua candidatura está ameaçada. Recentemente Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu desistiu da posição como vice na chapa Ruas indicando uma possível neutralidade da federação PP-União no estado que favoreceria Eduardo Paes (PSD).

Em Pernambuco, Raquel Lyra vai ser confirmada como candidata à reeleição na convenção partidária marcada para 2 de agosto; porém ela ainda não decidiu se Priscila Krause permanecerá como sua vice-governadora atual. Túlio Gadelha é considerado o nome mais forte para ocupar uma das vagas ao Senado enquanto ajustes continuam sendo feitos entre União e PP sobre a segunda vaga disponível. No dia 1º deste mês ocorre também a formalização da candidatura João Campos pelo PSB ao governo junto com Carlos Costa (Republicanos) como seu vice; Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT) estão pleiteando vagas ao Senado nesta mesma chapa.

No Maranhão, próximo à sua convenção marcada para 1º de agosto, o PT busca finalizar a chapa liderada por Felipe Camarão , pré-candidato ao governo estadual; neste momento ele ainda não possui um nome definido para vice e apenas Eliziane Gama é confirmada entre os candidatos ao Senado tentando reeleição nesse pleito. O PL não deve apresentar um candidato próprio no estado e enfrenta dificuldades para conseguir um palanque local para Flávio Bolsonaro. Outro obstáculo reside nas disputas internas entre membros do Centrão: André Fufuca (PP) e Pedro Lucas Fernandes(união Brasil), ambos federados se apresentaram como pré-candidatos ao Senado mas possuem apoios divergentes nas eleições estaduais — Fufuca apoia Eduardo Braide(PSD), enquanto Pedro endossa Orleans Brandão(MDB).

Em São Paulo está prevista para acontecer no dia 25 deste mês a convenção estadual do PT que oficializará Fernando Haddad como candidato ao governo paulista; este evento ocorrerá em Campinas tentando alcançar votos no interior onde tradicionalmente encontram maiores dificuldades eleitorais . A chapa já foi decidida: Márcio França(PSB) será seu vice , enquanto Marina Silva(Rede)e Simone Tebet(PSB) são as candidatas aos cargos senatórios.

O Republicanos confirmará Tarcísio Freitas na disputa pela reeleição no dia 1ºde agosto durante um evento programado no Ginásio do Ibirapuera na capital paulista ; Felício Ramuth(MDB) assumirá sua candidatura como vice , além disso Guilherme Derrite( PP)e André Do Prado(PL ) estarão concorrendo às vagas senatórias junto dele .

Nesta segunda-feira(20), ocorre também a convenção estadual da federação União-PP onde será formalizado apoio às candidaturas mencionadas anteriormente além dos esforços voltados à candidatura presidencial liderada por Flávio mesmo diante da ausência clara das direções nacionais dessas duas siglas sobre posicionamento referente as eleições federais .

BS20260720134624.1 –