
No dia 25 de junho, um aluno de 15 anos do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 04 do Guará foi picado por um escorpião logo antes de entrar na escola. Após receber atendimento imediato, o jovem foi encaminhado ao Hospital Regional do Guará (HRGu), onde recebeu alta e já retornou às aulas, conforme comunicado pela Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF).
Segundo a SEEDF, o incidente ocorreu enquanto o estudante estava no transporte escolar. O escorpião se encontrava escondido no bolso da calça jeans do adolescente e foi notado apenas quando ele se aproximava da instituição. Ao sentir a picada, o estudante rapidamente buscou auxílio com professores e com os bombeiros que prestam suporte à unidade cívico-militar. A equipe escolar fez os primeiros socorros, contatou os responsáveis e organizou a transferência do aluno para o hospital.
A Coordenação Regional de Ensino (CRE) do Guará divulgou uma nota informando que o aluno está bem e não apresentou complicações após o atendimento médico. A secretaria também ressaltou que o escorpião não foi encontrado nas dependências da escola, mas sim junto às roupas do estudante antes dele entrar na instituição.
Ações após o incidente
Após o ocorrido, a Vigilância Sanitária iniciou uma ação que envolveu a casa do estudante, além de outras 16 residências na mesma rua e o CEF 04 do Guará. Durante as vistorias, moradores e membros da comunidade escolar receberam instruções sobre como prevenir a proliferação de escorpiões, incluindo dicas sobre limpeza dos quintais, descarte adequado de entulhos e vedação de frestas e ralos.
Na escola, no entanto, os fiscais encontraram condições que podem favorecer a presença desses animais peçonhentos. O relatório da inspeção identificou uma infestação de baratas na rede de esgoto — um dos principais alimentos dos escorpiões — além de calhas obstruídas por resíduos em decomposição, vegetação alta sem manutenção e uma quantidade excessiva de materiais acumulados na área externa da instituição.
Diante das irregularidades constatadas, a Vigilância Sanitária determinou que a escola mantenha uma limpeza constante das áreas internas e externas, realize dedetizações periódicas, faça podas da vegetação e descarte os materiais acumulados para reduzir as condições favoráveis à presença dos aracnídeos.
A Secretaria de Educação informou que uma força-tarefa para limpeza e manutenção foi realizada no CEF 04 após a vistoria. Segundo a secretaria, os materiais considerados inservíveis estão sendo coletados e as recomendações dos órgãos fiscalizadores estão sendo atendidas.
Aumento das ocorrências gera preocupação
Esse acidente ocorreu pouco tempo depois de outro caso preocupante no Distrito Federal. No último domingo (5), Valentina Nobre Lima, uma estudante de 11 anos, faleceu após ser picada por um escorpião em sua casa no Riacho Fundo I enquanto se preparava para ir à escola calçando um tênis. A menina ficou internada por aproximadamente três semanas em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não conseguiu resistir às complicações decorrentes do veneno.
As autoridades de saúde estão alarmadas com o aumento dos acidentes envolvendo escorpiões. Segundo dados da Secretaria de Saúde do Distrito Federal, entre janeiro e junho deste ano foram registrados 2.239 acidentes desse tipo, representando um crescimento de 8,06% em relação ao mesmo período em 2025, quando foram registradas 2.072 ocorrências. No intervalo entre janeiro de 2025 até junho de 2026, mais de seis mil casos foram contabilizados na capital.
Nos últimos cinco anos, três crianças perderam suas vidas no Distrito Federal devido a picadas desses aracnídeos. Especialistas alertam que a presença dos escorpiões tende a aumentar em áreas com acúmulo de lixo, entulho e vegetação sem cuidados adequados; além disso, infestação por insetos como baratas é um fator que contribui para sua proliferação.
Em caso de picadas, é recomendado buscar imediatamente atendimento médico. Atualmente, onze hospitais da rede pública do Distrito Federal dispõem de soro antiescorpiônico para tratar pacientes indicados para essa terapia específica.
Hospitais que oferecem soro antiescorpiônico:
• Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib);
• Hospital Regional da Asa Norte (Hran);
• Hospital Regional do Guará (HRGu);
• Hospital Regional de Brazlândia (HRBz);
• Hospital da Região Leste (Paranoá);
• Hospital Regional de Ceilândia (HRC);
• Hospital Regional do Gama (HRG);
• Hospital Regional de Santa Maria (HRSM);
• Hospital Regional de Planaltina (HRPl);
• Hospital Regional de Sobradinho (HRS);
• Hospital Regional de Taguatinga (HRT).
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