
Gilberto Kassab, presidente do PSD, declarou em uma entrevista que não acredita na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) da corrida presidencial, apesar dos desafios que ele enfrenta dentro de seu próprio partido. Kassab, que é o vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD), também afirmou que não irá exigir apoio dos candidatos a governador do partido ao presidenciável, criticou a gestão da família Bolsonaro em relação ao aumento das tarifas e defendeu a eliminação das emendas parlamentares.
O PSD punirá os candidatos que não apoiarem Caiado?
Não. A coligação nas eleições majoritárias é uma distorção do sistema político brasileiro. Não seguimos essas teses que muitas vezes são utilizadas para enganar a opinião pública. “Se você não sair do partido, eu vou expulsá-lo; se você não apoiar o governo, eu vou expulsá-lo”.
A falta de apoio dos governadores do PSD pode afetar Caiado nas eleições?
Atualmente, o candidato à presidência não depende mais da campanha do candidato a governador. Com as redes sociais, ele consegue alcançar diretamente o público. Não estamos nos envolvendo na campanha para governador. Se houver apoio, será bem-vindo, mas a campanha é de Caiado. É claro que onde o PSD tem um candidato a governador, estamos apoiando essa candidatura. O único problema seria se Caiado não apoiasse Eduardo Paes no Rio.
Eduardo Paes estará no palanque de Caiado?
Não. Em nosso palanque estará Eduardo Paes. Ele estará presente nos três palanques (Lula, Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado). Sua vice, Jane Reis, tem uma forte conexão com o bolsonarismo e Benedita da Silva (pré-candidata ao Senado) está ligada ao PT. O mesmo se aplica em Pernambuco. Reconhecemos que os projetos locais têm uma importância equivalente aos nacionais.
Por que o senhor foi escolhido como vice na chapa de Caiado?
Desde o início era uma chapa pura. Por quê? Porque o PSD foi o único partido que resistiu tanto às investidas do bolsonarismo quanto do petismo.
Caiado está ligado à direita dominada pelo bolsonarismo. Qual será a estratégia para conquistar esses eleitores?
O diferencial de Caiado é sua postura como um representante moderado da direita. Ele sempre se destacou pelo diálogo e pela política. As pessoas perceberão que para vencer Lula, é necessário apoiar Caiado. O eleitor quer propostas concretas e experiências comprovadas de gestão, não apenas críticas.
É necessário competir pelo eleitor de direita com Flávio?
Não se trata de uma competição com Flávio. Hoje vejo Lula indo para o segundo turno e, caso Flávio enfrente Lula, ele perderá. Mas se for Caiado contra Lula, tenho certeza que Caiado vencerá, pois Lula poderá explorar a rejeição que Flávio enfrenta atualmente — 51% de rejeição.
Essa rejeição é influenciada por conflitos internos, como a crise com Michelle?
As pessoas envolvidas na campanha de Flávio são figuras importantes enfrentando problemas relacionais significativos. Michelle é esposa do pai do candidato; portanto, é difícil afirmar que Flávio não está impactado por isso. Porém, não vejo Flávio desistindo da candidatura — suas pesquisas estão boas.
Qual impacto você acredita que o caso Master terá nas eleições?
O eleitor tende a olhar para frente. Questões como essa são tratadas pela Polícia Federal e pelo Judiciário. O candidato precisa se pronunciar sobre isso — e Caiado tem feito claramente isso. Ele respeita as instituições e espera punições adequadas para quem cometeu irregularidades.
Qual sua visão sobre a atuação de Flávio e Eduardo Bolsonaro no tarifaço?
Isso prejudicou bastante a imagem da família Bolsonaro. Desde o início, Eduardo tomou decisões erradas com apoio familiar em relação ao tarifaço; ele desempenhou um papel crucial nesse aumento tarifário e agora Flávio tenta remediar a situação sem sucesso — inclusive pedindo adiamentos sem expressar claramente sua oposição ao tarifaço.
Em São Paulo, o PSD perdeu a vice na chapa à reeleição do Tarcísio. Isso gerou algum atrito nas relações?
De forma alguma! O PSD continua sendo um grande aliado de Tarcísio. O vice-governador Felício Ramuth agiu incorretamente em relação ao partido e decidimos pedir sua saída — não aceitamos “laranjas podres” em nossa sigla.
Você acha que Tarcísio irá apoiar Flávio após ter sido preterido por Jair Bolsonaro como candidato à presidência?
A aliança já existe; contudo, não posso falar em nome nem de Tarcísio nem do Republicanos.
Você é favorável à extinção da escala 6×1?
Sou favorável à mudança, mas considero apressada essa discussão sobre um tema tão importante — alguns setores já indicaram que essa PEC poderia causar desemprego e inflação prejudicando os trabalhadores. É fundamental esclarecer que isso não deve ser tratado como algo eleitoreiro; se for realmente necessário mudar esse modelo, deve haver tempo suficiente para discutir uma transição adequada.
O Orçamento de 2026 foi aprovado com R$ 61 bilhões destinados às emendas parlamentares. Qual sua opinião sobre esse mecanismo?
Sou totalmente contrário às emendas parlamentares; precisamos encontrar um novo modelo para isso! Destinar R$ 60 bilhões em um ano é absurdo — dá para construir duas linhas inteiras de metrô numa cidade como São Paulo anualmente! Faço essa crítica respeitosamente e dentro da minha bancada: esse modelo não pode continuar sob nenhuma circunstância com qualquer presidente da República; se persistirem as emendas parlamentares deveriam ser aplicadas nos respectivos orçamentos dos programas executivos municipais ou estaduais.
Você vê alguma possibilidade do Congresso restringir o poder dos parlamentares em relação às emendas?
Acredito que quem deseja ser presidente deve deixar claro se apoia ou se opõe ao modelo atual das emendas parlamentares; sou defensor de que Caiado tome uma posição contrária ao modelo vigente — pode até existir um formato semelhante no futuro, mas definitivamente não podemos continuar dessa forma atual.
BS20260713063034 – https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2026/07/13/entrevista-flavio-esta-com-problemas-mas-nao-o-vejo-saindo-da-disputa-diz-gilberto-kassab.ghtml
