
Na noite de sexta-feira, 29 de setembro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou a reabertura da fábrica da Ypê localizada em Amparo, interior paulista. Essa decisão marca um novo desdobramento na crise que tem afetado a marca, uma das principais no segmento de produtos de higiene e limpeza no Brasil, nos últimos 20 dias.
No início deste mês, a Anvisa havia suspendido a produção, venda e distribuição, além de determinar o recolhimento de 24 itens entre detergentes para lava-louças, líquidos para lavar roupas e desinfetantes fabricados até março que apresentavam o número de lote final 1.
Agora, a agência também afirmou que produtos com data de fabricação posterior a abril e com o mesmo número final de lote estão autorizados para comercialização e uso.
Veja a cronologia dos acontecimentos envolvendo a Ypê:
Novembro de 2025
Um dos primeiros alertas relacionados à saúde pública sobre os produtos Ypê foi emitido em novembro de 2025 após uma inspeção na unidade da companhia em Amparo.
Os fiscais encontraram a bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras coletadas durante a fiscalização. Embora não seja altamente contagiosa, essa bactéria pode representar um risco significativo para pessoas com o sistema imunológico comprometido. Ela está frequentemente ligada a infecções hospitalares, especialmente do trato respiratório, afetando particularmente pacientes com fibrose cística.
O Centro de Vigilância Sanitária de São Paulo (CVS-SP) relatou que foram encontradas falhas nas práticas adequadas de fabricação, incluindo problemas documentais e deficiências nas condições higiênicas das áreas produtivas. Os fiscais registraram acúmulo de sujeira e poeira sobre máquinas e tubulações, assim como outras inadequações nas limpezas realizadas na unidade.
As investigações também se voltaram para as possíveis causas da contaminação da água utilizada no processo produtivo. O CVS-SP observou que em situações semelhantes em outras empresas, falhas estruturais nos sistemas de esgoto resultaram na contaminação dos reservatórios d’água utilizados na produção.
Após essa primeira intervenção, a Ypê decidiu fazer um recall voluntário de lotes específicos dos produtos Tixan Ypê e Ypê Power Act.
Estiveram incluídos no recall os seguintes produtos: “Lava Roupas Líquido Tixan Ypê” nas versões Primavera (lotes 254031 e 193021) e Maciez (lote 97021), além do “Lava Roupas Líquido Tixan Ypê Express” nas variantes “Combate Mau Odor” (lotes 176011, 228011, 205011, 203011 e 169011) e “Cuida das Roupas” (lotes 181011, 170011 e 220011), bem como o “Lava Roupas Líquido Ypê Power Act” (lotes 228031, 190021 e 223021).
Na época do recall, as informações estavam disponíveis em uma seção dedicada no site da empresa; atualmente, esse espaço é utilizado para divulgar detalhes sobre a recente decisão da Anvisa e os esclarecimentos por parte da companhia sobre o caso.
Abril de 2026
Entre novembro de 2025 e abril deste ano, alguns lotes produzidos pela empresa foram liberados após resultados satisfatórios nos testes sanitários. O CVS-SP informou que certos produtos demonstraram resultados aparentemente adequados nas análises realizadas após a primeira fiscalização.
Entretanto, uma nova inspeção realizada entre os dias 27 e 30 de abril por profissionais da Anvisa, CVS-SP e Vigilância Sanitária local revelou indícios recorrentes de contaminação microbiológica além das violações graves das normas sanitárias.
Os fiscais observaram novamente problemas sérios relacionados à higiene nas áreas produtivas. Foi relatado acúmulo significativo de sujeira nos pisos e poeira acumulada sobre equipamentos industriais.
7 de maio
Em resposta à reincidência dos problemas sanitários identificados no dia 7 de maio, a Anvisa ordenou o recolhimento dos produtos lava-louças (detergente), do sabão líquido para roupas e desinfetante da Ypê com numeração final do lote igual a 1. A medida incluiu também a suspensão imediata da fabricação, venda e distribuição desses itens.
As equipes relataram que as condições encontradas eram preocupantes: acumulação excessiva de sujeira nos pisos e poeira sobre máquinas. A Anvisa destacou em nota que houve “descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo”, indicando falhas nos sistemas relacionados à qualidade dos produtos fabricados.
Segundo o órgão regulador, havia risco significativo à segurança sanitária devido à possibilidade de contaminação microbiológica com microrganismos patogênicos indesejados presentes nos produtos.
Embora não tenha especificado quantas unidades precisariam ser retiradas do mercado, essa determinação afetou itens fabricados entre abril e setembro de 2025. Os produtos incluídos são:
- Lava Roupas Tixan Power Act
- Lava-louças Ypê Clear Care
- Lava-louças com Enzimas Ativas Ypê
- Lava-louças Ypê
- Lava-louças Ypê Toque Suave
- Lava-louças concentrado Ypê Green
- Lava-louças Ypê Clear
- Lava-louças Ypê Green
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Combate Mau Odor
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Cuida das Roupas
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Antibac
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Coco e Baunilha
- Lava-roupas líquido Tixan Ypê Green
- Lava-roupas líquido Ypê Express
- Lava-roupas líquido Ypê Power Act
- Lava-roupas líquido Ypê Premium
- Lava-roupas Tixan Maciez
- Lava-roupas Tixan Primavera
- Desinfetante Bak Ypê
- Desinfetante Geral Atol
- Desinfetante Perfumado Atol
- Desinfetante Pinho Ypê
8 de maio
No dia seguinte à notificação da Anvisa, a empresa comunicou que havia apresentado um recurso à agência reguladora visando suspender os efeitos daquela decisão até uma nova avaliação colegiada.
Alguns dias depois, especificamente no dia 13, estava prevista uma análise do recurso pela diretoria colegiada da Anvisa; porém o tema foi retirado da pauta naquela ocasião.
15 de maio
No dia 15 deste mês, a diretoria colegiada da Anvisa tomou a decisão unânime de rejeitar o recurso apresentado pela empresa y mantendo as restrições impostas anteriormente quanto à fabricação e comercialização dos seus produtos.
30 de maio
Na noite desta última sexta-feira passada (29), foi dada autorização pela Anvisa para reiniciar as operações na unidade Química Amparo responsável pela produção parcial dos artigos da marca.
Além disso, ficou decidido que os itens fabricados depois do mês abril com número final do lote igual a um podem ser comercializados novamente.
Entretanto,a agência reiterou sua recomendação para que consumidores evitem utilizar lotes fabricados até março passado devido à confirmação recente da contaminação presente em alguns deles.
A atualização nas diretrizes foi justificada pela apresentação por parte da ypé um plano detalhado para atender aos requisitos sanitários apontados pela inspeção realizada no último mês.
